| Fichas de leitura  (3º ano - 1º semestre) |

 

    Quanto a este separador, tem como principal função, ter acesso às fichas de leitura efectuadas durante o 1º semestre. Juntamente com a ficha de leitura, existe uma reflexão sobre a mesma.

 

    ● Características das fichas de leitura:

- Bibliografia do texto

- Palavras-chave

- Resumo e Analise ou Resumo ao mesmo tempo que se analisa, se reflecte

- Crítica Final

- Data

- Nome

- Identificação

- Balanço Final - "O que aprendi?"

- Quantidade - 1/3 do orignal (mais ou menos duas ou três páginas)

 

Ficha de leitura nº 1 - 11 de Outubro de 2012

 

    Bibliografia: ALBARELLO, L. et al. (1997). “Práticas e métodos de investigação em Ciências Sociais”. P. 84 – 116. Lisboa, Gradiva.

    Palavras-chave:

 

 

    Resumo / Análise:

    O texto refere-se à situação de entrevista e estratégia de entrevistador. A entrevista, que causou grande interesse aos investigadores, por se interessarem pelo individuo, pelas suas intenções e crenças, é vista como um instrumento primordial, com uma compreensão rica de diferentes situações. Numa investigação, a entrevista está bastante presente na fase exploratória. Mas porque é que a entrevista é considerada uma metodologia apropriada?

    Segundo o texto de Albarello (1997), existem sete pontos sobre a entrevista, que explicam o motivo de esta ser uma metodologia apropriada, a qual irei definir através de tópicos, por considerar mais claro.

 

    Os sete pontos são:

1º - A escolha da entrevista

  • Definição e uso da entrevista – Quem escolhe a entrevista como método, fá-lo porque não dispõe de dados, mas sim, porque quer obtê-los. E para isso, é necessário analisar de forma clara qual o contributo da entrevista e quais as condições que se tem para a sua aplicação. Essas condições dizem respeito à relação verbal entre o investigador e a pessoa interrogada, que pode ser feita directa ou indirectamente; pode ser uma entrevista provocada pelo investigador; uma entrevista para fins de investigação; baseada na utilização de um guia de entrevista; uma entrevista com uma perspectiva intensiva (ou seja, de modo a conhecer em profundidade as reacções da pessoa).

  •  A diferenciação das entrevistas segundo o grau de liberdade – O investigador pode intervir o menos possível ou, por outro lado, ser quem estrutura a entrevista a partir de um objecto de estudo. Quanto à entrevista semi-directiva, o entrevistador deve dar hipótese ao entrevistado de estruturar o seu pensamento. As entrevistas podem ser directivas (baseadas num questionário); um relato de vida; não directiva.

2º - O estatuto dos dados recolhidos – Os dados podem nem sempre ser “perfeitos” e por isso, deve tentar-se que sejam o mais fiéis possível em relação às práticas.

  • As investigações sobre as práticas – Por vezes, a situação é descrita pelo entrevistado, através de juízos de valor e por isso, o entrevistador deve utilizar procedimentos de forma a garantir que as afirmações deste são verdadeiras.

  • As investigações sobre as representações – Segundo o autor (Albarello, 1997), a entrevista é um instrumento adequado para delimitar sistemas de representações. O entrevistado conhece um conteúdo consciente e desconhece os conteúdos inconscientes e o êxito das entrevistas acontece quando o locutor tem a capacidade de explorar e comunicar.

3º - Os fundamentos do método

  • O contexto em que surgiu a entrevista – surgiu com o filósofo e historiador W. Dilthey (1833-1911) e teve também uma grande ênfase na escola de Frankfurt e com diversas correntes teóricas em sociologia.

4º - A metodologia da entrevista – Uma entrevista semi-directiva reporta sobretudo a um entrevistado que seja pertinente nas suas informações, nos seus pensamentos e é importante que se crie um clima de confiança e de interacção entre entrevistador e entrevistado. E, de modo a que o entrevistador garanta a pertinência e a qualidade dos dados, deve ter em atenção três aspectos:

  • A orientação da entrevista em função do objecto de estudo – ou seja, com que objectivo é realizada. Neste caso, os pré-requisitos teóricos são um aspecto apontado no texto, de forma a perceber se é importante que exista em muita ou pouco abundância. Segundo o texto “uma forte teorização pode impedir a descoberta de Aspectos não previstos do problema e exige uma operacionalização mais laboriosa. Uma fraca teorização reúne elementos cujo alcance não compreenderemos suficientemente mais tarde.”. É necessário que o entrevistador faça com que o entrevistado consiga explorar o seu próprio pensamento e que atinja algo mais profundo.

  • As condições interpessoais – O entrevistador deve ter uma atitude em que não dá opiniões, não avalia, não faz sugestões, mas que ao mesmo tempo crie um clima de confiança e que estimule o discurso.

  • As condições sociais – Existem diferentes factores que podem influenciar a entrevista, nomeadamente, a relação social entrevistador/entrevistado; o quadro espácio-temporal (ou seja, o contexto); a relação com a investigação; a relação com o entrevistador e com seu modo de intervenção. 

5º - A selecção das pessoas interrogadas – Existe um critério que determina qual a amostra de pessoas adequada aos objectivos de uma investigação. As pessoas entrevistadas devem ser diversas e deve ser garantido que nenhuma situação importante é esquecida.

6º - As estratégias de 1º contacto com as pessoas selecionadas – Após a fase exploratória, eapós a escolha da amostra o entrevistador deve tratar de comunicar com quem quer entrevistar. E, para isso, existe um estudo de Jacqueline Palmade (1988) que fala sobre as razoes de aceitação dos potenciais entrevistados: os que não tem grande preocupação com os objectivos, aceitam apos a discussão sobre os objectivos, por influência, por causa de relações pessoais não politizadas, por relações politizadas ou por dinheiro. O que o entrevistador deve fazer é revelar o objectivo de estudo e o interesse, motivar o entrevistado, fazer desaparecer receios, explicar a razão pela qual a pessoa foi a escolhida.

7º - As estratégias de intervenção do entrevistador – Deve existir:

  • O plano de entrevista – Diz respeito ao guião e às atitudes do entrevistador.

  • Os momentos chave da entrevista – Dizem respeito aos preliminares, em que coloca o entrevistado à vontade e sem receios; o início da entrevista, em que escolhe a questão introdutória; o corpo da entrevista, em que deve haver pertinência quanto ao objecto de estudo e ser o mais fiel possível ao modo de pensamento do entrevistado; o fi da entrevista, e que deve perguntar quais as impressões sobre a entrevista e se deseja acrescentar algo.

  • As intervenções de conteúdo – Tem a ver com os temas colocados no guião da entrevista, o conteúdo exposto na questão inicial que deve ser claro e compreensível, as reformulações que devem ser feitas de forma clara e em forma de resumo, a interpretação e a confrontação.

  • As interacções de natureza incitativa – Quando existe uma resposta um pouco confusa, o entrevistado deve encorajar o sujeito a pensar e a aprofundar o raciocínio. Deve assim, utilizar expressões breves, pedidos neutro de informações complementares, manifestações de compreensão voluntária, a técnica do espelho e a técnica do reflexo.

    Conclusão:

    As entrevistas são complexas e uteis para obter informações. Mas, são vários os pontos a ter em conta neste método. É importante que o entrevistador possua uma relação de confiança com o entrevistado e que tenha um conhecimento abrangente sobre o objecto em estudo e sobre as informações que espera conseguir. Assim, posso concluir que a entrevista é algo mais complexo do que pensei, que possui varias fases e cujo seu planeamento requer cuidado e um estudo profundo.

 

Ficha de leitura nº 2 - 18 de Outubro de 2012

 

    Bibliografia: GUERRA, Isabel, Carvalho. (2002). “Fundamentos e processos de uma sociologia da acção: o planeamento em Ciências Sociais” a construção de projectos de intervenção, pp. 125-174. 2ª ed. Cascais: Princípia

    Palavras-chave:

 

 

    Resumo / Análise:

    Para a realização de um projecto, é necessário que sejam assegurados alguns processos que o viabilizem, como por exemplo, uma gestão eficaz, que possui dimensões como, o planeamento, a organização, o acompanhamento e avaliação, a gestão financeira, a comunicação, a animação e formação, a negociação e motivação, a logística e por fim, a documentação, o observatório e a pesquisa.     A construção de um projecto de intervenção possui quatro etapas principais, nomeadamente, a emergência de uma vontade colectiva de mudança e a constatação de recursos; a análise da situação e a realização de diagnóstico; o desenho do plano de acção; a concretização, acompanhamento e avaliação do projecto. De todas as dimensões, deu-se mais ênfase a uma das várias etapas de um projecto, nomeadamente, a identificação dos problemas e diagnóstico.

    Quanto a este tema, e especificamente, quanto ao diagnóstico, este serve para analisar as necessidades, sendo um processo de pesquisa-acção, com processos próprios. Numa primeira fase, deve ter-se em conta a situação socio-económica e cultural quanto ao local em que se irá intervir. É também bastante importante e até indispensável, um enquadramento teórico e uma boa recolha de informação, pois através de um bom diagnóstico, surgirá uma melhor garantia acerca da adequabilidade das respostas a dar às necessidades encontradas, bem como, para garantir a eficiência do projecto de intervenção. Em geral, e segundo o autor (Isabel Guerra, 2002), o diagnóstico é “(…) um olhar sobre uma realidade que tem vulnerabilidades mas tem também potencialidades (…)”.

    Sendo o diagnóstico um instrumento essencial no início de um processo de trabalho, existem vários níveis e fases de organização para o mesmo, sendo uma delas, a organização de uma grelha analítica, que possua os pontos fortes e os pontos fracos, as oportunidades e as ameaças (ou seja, a analise Swat). Este instrumento, deve também ter em conta os diferentes actores envolvidos no projecto, quais as necessidades especificas e as particularidades de funcionamento que a instituição possui. Assim, os três níveis de actores que pode encontrar são: 1º - o grupo-alvo, que diz respeito às pessoas a quem o projecto é dirigido, como por exemplo, a utentes, a pais, etc; 2º os que são responsáveis por executar a acção, ou seja, os trabalhadores sociais, os administradores, os supervisores, entre outros; 3º - são as pessoas de quem depende a acção, mesmo que não estejam ligados directamente, como é o caso de quem acciona os recursos (edifícios, equipamentos, tecnologias, entre outros).

    No que concerne aos objectivos e às funções do diagnóstico, este inclui três operações: a fase de pré-diagnóstico, que é uma fase exploratória, que se baseia em documentação e em entrevistas; a fase de diagnóstico propriamente dita, em que há uma recolha de informação original; a fase de hierarquização dos problemas e desenho de soluções alternativas, aprofundando os problemas, as potencialidades e as prioridades do projecto.

    O pré-diagnóstico possui vários objectivos, nomeadamente, a investigação e organização das informações sobre as necessidades e o grupo-alvo; a determinação do enfoque principal do projecto; a construção de compromissos sobre o uso da informação, sobre o planeamento e sobre a intervenção. Quanto às suas funções, estas recaem sobre o planeamento do processo e a organização dos grupos; a condução de uma investigação; a clarificação das potencialidades da investigação; a definição das metas, do calendário e do orçamento; a identificação do contexto politico e organizacional da instituição; e por fim, a construção de procedimentos que assegurem as soluções, as potencialidades e as prioridades do projecto.

    Existem técnicas clássicas associadas ao pré-diagnóstico, como a análise documental e as entrevistas. O diagnóstico é uma fase, ou um instrumento que visa a participação, em que existe interacção e comunicação, mas também compreensão da realidade e identificação de necessidades.

    O diagnóstico tem ainda alguns objectos que se deve ter em conta, nomeadamente, a posse de documentação, a determinação da importância dos problemas e as suas causalidades e a identificação de questões-chave.

    Quanto à definição das prioridades de intervenção, estas possuem um papel importante, na medida em que, é através destas que se fazem escolhas e cenários possíveis, algo que será referido mais à frente. Ainda na logica das prioridades, algo que se deve ter em conta diz respeito aos recursos disponíveis no projecto de intervenção, nomeadamente, financeiros, técnicos ou humanos, porque modificará algumas decisões. Mas, a selecção dessas prioridades, tem diversas dimensões, como por exemplo, o horizonte temporal do plano, o nível regional a que se vai colocar o plano, os recursos disponíveis e a comparação entre as diferentes estratégias possíveis. Devem ser estabelecidos alguns critérios de selecção de modo a hierarquizar as prioridades de intervenção, tais como, a gravidade do problema A, B ou C, os recursos existentes para cada um deles, a sensibilização da população para os problemas e a sensibilidade dos técnicos.

    Os principais objectivos desta fase (prioridades), diz respeito ao estabelecimento das prioridades face às necessidades; estabelecimento de estratégias para satisfazer essas necessidades; o estabelecimento de critérios; a consideração de soluções alternativas; a avaliação das alternativas; a selecção de uma ou de mais soluções.

    Quanto às metodologias a utilizar no diagnóstico, existe as fontes documentais e a comunicação (questionários, entrevistas ou reuniões, entre outros). Já em relação à construção de cenários como método de diagnóstico, é necessário que estes sejam realizados, de modo a fazer uma análise prospectiva e assim, dar resposta às questões. Essas análises prospectivas, baseiam-se no reconhecimento de que habitamos numa sociedade em constante mudança e têm em vista determinar os “futuros prováveis” e os “futuros possíveis”. Por fim e para concluir, existem varias características acerca desta análise, sendo eles: caracter qualitativo, a globalidade do método, a racionalidade, o voluntarismo, o antifatalismo e a incorporação de uma visão a longo prazo

    Conclusão:

    Um projecto é um desejo, uma vontade ou uma necessidade, ao qual se pretende responder, e para isso existem ferramentas como o diagnóstico, para nos ajudar de forma mais assertiva à realização dos nossos objectivos. Elaborar um diagnóstico requer que tenhamos em atenção os métodos, as características, os objectivos. Requer também que tenhamos em conta que quanto melhor for executado um diagnóstico sobre determinada instituição, melhor será a solução que poderemos arranjar para os problemas encontrados, e dessa forma, todos irão beneficiar. Assim, um diagnóstico, apesar de complexo, produz uma enorme utilidade, pois é através dele que compreendemos os problemas, as oportunidades, as ameaças, os pontos fortes e fracos de cada instituição.

 

Ficha de leitura nº 3 - 8 de Novembro de 2012

 

    Bibliografia: GUERRA, Isabel, Carvalho. (2002). “Fundamentos e processos de uma sociologia da acção: o planeamento em Ciências Sociais” a construção de projectos de intervenção – 2. objectivos e estratégias de acção, pp. 163-174. 2ª ed. Cascais: Princípia

    Palavras-chave:

 

 

    Resumo / Análise:

    Após a elaboração do diagnóstico e após a hierarquização das necessidades pela importância que estas possuem, os objectivos são o passo seguinte. Assim, existem três pontos que se devem ter em conta dentro dos objectivos, sendo eles: a finalidade, os objectivos gerais e os objectivos específicos.

    Quanto à finalidade, esta indica a razão pelo qual um projecto está a ser desenvolvido, ou seja, como especifica a autora (Guerra, 2002), indica “a razão de ser de um projecto e a contribuição que pode trazer (…) às situações que se torna necessário transformarem”. A finalidade deve ser executada de modo preciso, não sendo necessário escolher muitas finalidades, mas por exemplo, escolher uma ou duas que explicitem o que é necessário.

    No que diz respeito aos objectivos gerais, estes devem definir acções, ou seja, devem ter em conta o trabalho que deve ser efectuado (usando verbos de acção para os formular), bem como, serem coesos de acordo com as finalidades. Esses mesmos objectivos, devem ser feitos de forma global, ou seja, para todo o projecto.

    Segundo os objectivos específicos, estes ditam os resultados que se esperam que sejam atingidos e detalham os objectivos gerais, sendo formulados em termos operacionais, para que, posteriormente, se analise o que foi realizado, e deste modo, devem ser executados de forma clara e precisa.

    Ao início do projecto os objectivos são mais vagos, mas, no decorrer do mesmo, os objectivos dão passam a ter mais profundidade. Fundamentalmente, os objectivos devem ser realistas, de modo a que as intervenções sejam, por sua vez, mais concretas e eficazes.

    Outro ponto importante num projecto, são as estratégias de intervenção, que essencialmente, representam as formas de atingir os objectivos realizados anteriormente.

    As palavras “planeamento” e “estratégia” são difíceis de definir de forma unívoca. O planeamento, de um modo geral, significa um “modo de fazer”, portanto, um conjunto de procedimentos sistemáticos e que utiliza os recursos que tem à sua disposição, de modo a tornar maiores as suas potencialidades e a diminuir as dificuldades. Quanto à definição das estratégias, esta é uma etapa essencial, porque é através delas que mais facilmente se chega à concretização dos objectivos.

    Por fim, outra das fases de um projecto e também muito importante, é a elaboração do plano de acção, em que é descrito detalhadamente o que se pretende fazer, qual o motivo, quando o irão fazer, como, quem o fará e quais os recursos a serem utilizados. Portanto, nesta fase, tanto os objectivos, como os meios e as estratégias possuem uma relação necessária para a realização do plano de acção.

    A seguir, é também necessário que se defina quais as estratégias mais adequadas, tendo em conta os objectivos a atingir. Assim, deve fazer-se um inventário das possibilidades e impossibilidades; quais os meios de acção disponíveis; as prioridades e sequências da acção, os cenários possíveis; quais os métodos e meios a utilizar; e as responsabilidades entregues a cada membro pertencente ao projecto. Nesta fase, considera-se de extrema importância não demorar muito tempo a fase de diagnóstico e deve ter-se em conta que não existe uma solução-tipo para os problemas, pois cada problema é um problema e as soluções e as intervenções variam tendo em conta o contexto, as características, os riscos, as ameaças. Mas, para que as intervenções sejam eficazes e inovadoras, o essencial é que se pense num conjunto de hipóteses de acção variadas.

    É importante também, que o projecto iniciado possua actividades com visibilidade, o que trará um impacto maior. Mas também, escolher uma acção que simultaneamente, dê resposta a vários objectivos.

    Por fim, as componentes de um plano de acção, para além das actividade e das tarefas, passam pela existência de um plano de actividades (actividades, tarefas, calendário, recursos), por um plano de avaliação das mesmas e por um plano de pesquisa e acção (aprofundamento do diagnóstico).

    Conclusão:

    Em suma, através do texto de Isabel Guerra (2002), compreende-se que um projecto, é bastante complexo e que cada uma das suas variadas fases, tem um papel fundamental para o “sucesso” que se espera alcançar. Tendo uma fase de diagnóstico (tema de que falei na ficha de leitura anterior), que deve ser extremamente bem efectuada, porque terá influência em todos os outros pontos que o precedem, a finalidade, os objectivos (gerais e específicos) e as estratégias de acção são, no fundo, o que irá levar à prática, à intervenção propriamente dita.

    Mas, se por um lado vemos a sua importância, por outro lado, também se percebe que cada ponto deve ser elaborado com o máximo de rigor, porque as falhas existentes em algumas fases, poderão mudar o rumo de um projecto, levando-o, no limite, ao fracasso.

    Portanto, e tendo em conta os projectos que iremos desenvolver ao longo da disciplina de Seminário de Integração Profissional IV, cada fase do projecto deve ser feita de forma organizada, clara e focada, quando já possuímos os objectivos. Portanto, devemos focar-nos neles e pensar em todas as estratégias, escolhendo a que melhor se adequa e a que mais sucesso trará no futuro.

 

Ficha de leitura nº 4 - 6 de Dezembro de 2012

 

    Bibliografia: GUERRA, Isabel, Carvalho. (2002). “Fundamentos e processos de uma sociologia da acção: o planeamento em Ciências Sociais” a construção de projectos de intervenção – 2. objectivos e estratégias de acção, pp. 175-207. 2ª ed. Cascais: Princípia

    Palavras-chave:

     Resumo / Análise:

    A avaliação é o ponto fulcral deste capítulo apresentado por Isabel Guerra (2002), sendo este, uma das componentes do processo de planeamento. A avaliação, sobretudo, serve para conhecer os resultados e os efeitos da intervenção. Mas, não existe um único processo de avaliação, pelo qual nos devemos guiar, existindo sim, diversificados modelos de avaliação, o que complica esta tarefa.

    Existem vários modos de organizar a avaliação, sendo eles:

 

Tipologias em função de

quem realiza a avaliação

Tipologias em função de

quem realiza a avaliação

Auto-avaliação

 

Avaliação Interna

A avaliação é realizada pela

mesma equipa que a executa

(pode ter apoio externo);

É realizado dentro da organização

gestora do projecto, mas com

distanciamento da equipa de execução.

Avaliação Externa

Avaliação Mista

É realizada por pessoas

estranhas à organização;

Combina os vários

tipos de avaliação.

 

 

    Independentemente do modo de avaliação, é necessário ter em conta que, deve haver sempre a presença de um responsável pela avaliação, deve haver um financiamento específico para efectuar a mesma, e as acções de avaliação devem contar com vários intervenientes.

     Em termos históricos, a avaliação aparece anteriormente à primeira guerra mundial, sendo vista como uma actividade científica. Após a segunda guerra mundial, surgiu o pensamento de que a avaliação seria importante, na medida em que, diria quais os programas e métodos mais apropriados, e que levassem ao sucesso dos projectos.

     Nos anos 60, dá-se um enorme avanço científico, que fará com que este tema se desenvolva profundamente. Nos anos 70, foi a vez de serem feitas revisões críticas da avaliação até então proposta, tendo sido o fim do consenso entre os vários investigadores, sobre alguns métodos e técnicas de avaliação. No final dos anos 70 e início dos anos 80, surge a tentativa de reconciliar os paradigmas anteriormente quebrados, tendo sempre em atenção o termo “eficácia”, de modo a encontrar mecanismos que a fossem garantir.

     Assim, e no final do século XX, como refere no texto “a avaliação formal é, assim, uma nova forma de autoridade cultural, autoridade cultural essa manifestada na probabilidade de que as suas descrições da realidade e os seus ajuizamentos de valores prevaleçam como válidos, dificuldade que é crescente nas sociedades com valores tão diversificados”.

     Avaliar, é considerado um processo complexo e bastante diversificado, que acima de tudo, possui uma finalidade, existindo assim, dentro deste tema, quatro funções principais:

 - Medida (é um processo contínuo articulado com a acção, e deve ter-se em conta que uma boa avaliação, é aquela que combina os aspectos qualitativos e quantitativos);

- Utensílio (deve ser gerada informação que permita uma melhor e mais assertiva tomada de decisão);

- Processo de Formação (a avaliação deve ser vista como um projecto que propicia a reflexão, de modo a conseguirem gerir e adaptar as melhores soluções aos diversos problemas);

- Aprofundamento da democracia participativa (é necessário que seja feita uma reflexão, de modo a que, sejam apuradas as causas dos problemas e quais as consequências das acções e das decisões tomadas, ou seja, medir o êxito das acções).

     A avaliação possui ainda, vários modelos, constituídos ao longo dos anos, sendo eles:

  1. Avaliação experimental / pela avaliação – Sendo objectiva, credível, cujo objectivo é aprofundar as causalidades e que pretende dar respostas objectivas às questões investigadas.
  2. Avaliação por objectivos – É vista como uma avaliação prática, que obriga a determinação de objectivos, sendo estes, os critérios de sucesso da intervenção.
  3. Avaliação orientada para a decisão – Tem em atenção as necessidades de informação, sendo esta, a base do sistema de decisão.
  4. Avaliação pela utilização – Caracteriza-se por ser uma avaliação colectiva, por ter vários métodos de recolha de informação e que fomenta o sentimento de “pertença” do projecto a todos os indivíduos que nele desenvolvem o seu trabalho.
  5. Avaliação múltipla – Utiliza métodos qualitativos e naturalistas, e tem atenção vários pontos de vista.
  6. Após a referência aos modelos de avaliação, o texto de Isabel Guerra (2002), sugere vários tipos de avaliação, que têm em conta a temporalidade.

    Pode concluir-se que, a avaliação será bem conseguida, dependendo da capacidade que terão em encontrar indicadores que possam medir os resultados e o processo de avaliação. Existindo alguns factores, como a adequação, a pertinência, a eficácia, a eficiência, a equidade ou o impacte, que permitem a verificação do sucesso.

    Conclusão:

    O tema “avaliação”, caracteriza-se por ser bastante complexo, devido à existência de vários modelos que esta possui. É um método utilizado com o objectivo de “prestar contas”, de poder compreender se os projectos estão a conseguir corresponder às necessidades, e se estão a ser adequados.

    Assim, é uma fase imprescindível no planeamento, porque só assim se poderá compreender se o que é feito está realmente a ser eficaz e pertinente.

 

| Fichas de Leitura (3º ano - 2º semestre) |

 

Ficha de leitura nº 1 -  11 de Junho de 2013

 

  Bibliografia: LESNE, M. (1984). "Um Modelo possível de análise das práticas de formação”. In: M. Lesne. Trabalho Pedagógico e formação de adultos. Lisboa: Ed Gulbenkian, pp. 7-45.

    Palavras-chave:

    Resumo / Análise:

    O texto de Lesne (1984), incide na Formação de Adultos e num Modelo de Análise Dinâmica das Práticas de Formação. No primeiro, expressa-se sobre o processo de socialização, o papel do agente social e na formação e dinâmica social. No segundo, evidencia o processo de formação, as suas conexões fundamentais e exemplos dos três modos de acção pedagógica.

    Para o autor (Lesle, 1984), a educação é um processo que se desenrola ao longo da vida de um sujeito, sendo o meio social do individuo, um espaço de interacções, que o forma mesmo sem que essa função seja organizada.

    Assim, surge o tema da Formação de Adultos, onde se pronuncia sobre o processo permanente de socialização, que antes de mais, é um processo que se prolonga por toda a vida e que se designa por ser um processo de influência sobre um individuo, que o levará a uma acção, ou seja, um determinado individuo é influenciado socialmente, de modo a adquirir uma identidade social e cultural, de acordo com o meio em que está inserido.

    Existe ao longo da vida de um sujeito, períodos mais intensivos de socialização (por exemplo, nascimento de um filho) em que formações específicas o ajudarão na adaptação à mudança. Segundo a teoria sociológica referida por Lesne (1984), esta admite que “(…) cada membro é, ao mesmo temo, objecto de um condicionamento exercido pelos outros, agente do condicionamento (…) e sujeito do condicionamento que impõe a si próprio.” Mas, numa verdadeira educação, procura-se desenvolver a actividade própria do sujeito e, consequentemente, este seria capaz de escolher o que melhor se adequa ao seu desenvolvimento.

    O papel do agente social é outro dos temas tratados na Formação de Adultos, que segundo Lesne (1984), num processo de socialização existem actores com valores, pensamentos, acções e sentimentos diferentes, tornando os indivíduos em agentes sociais. A prática da formação de adultos, por sua vez, desenvolve-se num meio social real e ajuda o sujeito a ter uma participação real no desenvolvimento da formação social em que está inserido, possuindo assim um significado social profundo.

    Por fim, o autor, quanto à socialização, formação e dinâmica social, explica que existem diversos agentes de socialização, como a família, a escola, o trabalho, empresas, entre outros, que podem traduzir-se em meios de socialização diferentes, como o meio rural ou o urbano, o grupo racial, entre outros. Num processo de socialização, existem conflitos, por exemplo, quando um individuo se opõe à sociedade, e desta forma, percebe-se que um processo de socialização, para além de se desenvolver ao longo do tempo e ter determinadas características, possui também conflitos e oposições. Bernstein, um autor referido no texto, diz que a classe social é “(…) o que mais profundamente determina as formas de socialização”, separando as comunidades umas das outras e hierarquizando-as".

    Quanto ao Modelo de Análise Dinâmica das Práticas de Formação, refere-se a três pontos essenciais: a) As três linhas de força fundamentais do processo de formação – Sabendo que a Formação de Adultos necessita da socialização para se reproduzir, encontram-se três modos de trabalho pedagógico: o adulto como objecto de socialização (dominação, pressão social); como sujeito da sua própria socialização (adaptação social deliberada); que exerce a sua pressão sobre os outros (agente de socialização). b) As duas conexões fundamentais de relação de formação – Na formação, existem diversos actores sociais como o formador, o sujeito, os serviços, o Estado, os organismos de financiamento, entre outros. Assim sendo, focam-se em acções de resposta a problemas mais gerais, algo contrário às situações pedagógica, que são mais específicas. c) O modelo de análise: os três modos de acção pedagógica – Os modos de acção pedagógica, servem para explorar os percursos reais realizados pelos formadores na aplicação de meios pedagógicos, explorar hipóteses, colocar questões à realidade, e não para explicar esses percursos, nem para substituir pesquisas empíricas. Assim sendo, esses modos de trabalho pedagógico são: De tipo transmissivo, de orientação normativa (transmissão de normas, valores, pensamentos); De de tipo incitativo, de orientação pessoal (intenções, motivos, disposições dos indivíduos, desenvolvimento pessoal de sabres); De tipo apropriativo, centrado na inserção social do individuo.

    Conclusão:

    Em suma, a Formação de Adultos é um agente de socialização, reconhecido, instituído e que exerce a função de formação. Todos os indivíduos são transmissores sociais, mas um formador tem um grau especializado num determinado papel. Os indivíduos são objectos, sujeitos e agentes de socialização, ou seja, são influenciados socialmente, são sujeitos da sua própria socialização e exercem ainda pressão sobre os outros. Nesta medida, quer seja pela via da Formação de Adultos ou através da família, grupo de amigos, entre outros, a socialização é feita ao longo da vida.